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Agroecologia contra a fome: modelo sustentável pode ser solução diante de crise

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Em lugar de exportar, produtores familiares põem comida na mesa do brasileiro

Mesmo em plena pandemia, com brasileiros passando fome, a exportação de soja, milho e carne fez o agronegócio brasileiro alcançar grandes margens de lucro, movimentando 102 bilhões de dólares. No início deste ano, as exportações cresceram 25%, atingindo 19 bilhões de dólares, apenas em janeiro. Com o dólar alto, o agronegócio brasileiro foi ao paraíso.

Se para essa pequena parcela da população brasileira o ambiente foi positivo, para mais da metade da população a situação foi de desemprego, queda na renda, volta da fome. Foram mais de 100 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar em 2021.

Dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), mostram que das 116,8 milhões de pessoas em insegurança alimentar, 43,4 milhões não tinham comida suficiente e 19 milhões estavam passando fome.

Dados atualizados, também levantados pela Rede Penssan, mostram que, em 2022, os números aumentaram para 125,2 milhões de brasileiros em insegurança alimentar e 33,1 milhões passando fome.

O Brasil, que tinha em 2014 saído do “Mapa da Fome”, voltou a figurar na lista. Apesar da situação dramática, foi a agroecologia e a agricultura familiar, mesmo com cenário de alta de preços, que conseguiu colocar comida na mesa dos brasileiros.

“A agroecologia se apresenta, nesse contexto de pandemia, como a estratégia possível de enfrentamento à fome, porque ela traz o olhar a partir de um passo atrás ao ato de se alimentar", descreve Islândia Bezerra, presidenta da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). "O passo da produção de alimentos que enfatiza a natureza como sujeita de direitos", resume.

brasil 200622 adobe expressNesse contexto de desemprego crescente e fome, iniciativas de solidariedade se espalharam pelo país. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, está com a campanha permanente de solidariedade, que já doou 975 toneladas de alimentos só no Paraná.

Além das doações quase mensais de cestas de alimentos, o movimento, através da ação “Marmitas da Terra”, entregou 130 mil refeições à população de rua, comunidades e ocupações urbanas de Curitiba e Região Metropolitana em 19 meses.

Adriana Oliveira, integrante do MST e coordenadora do Marmitas da Terra, fala da importância das ações de solidariedade e dos mutirões de plantio e colheita. “Nós temos um projeto de vida que produz respeitando todas as esferas de produção, na relação com a natureza e com as pessoas, enxergando quem recebe o alimento como pessoa, e não como caridade”, disse, em entrevista ao site do MST.



Fonte: BdF Paraná