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‘As condições de trabalho no Brasil estão na UTI’

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Fonte: Hugo Souza

 

 

trabalho na UTIÀs vésperas do primeiro Dia do Trabalhador no Brasil sob o governo Jair Bolsonaro, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) anunciou o lançamento de um novo instrumento para medir não só em termos de quantidade, mas também de qualidade o mercado de trabalho nacional.

Trata-se do Índice da Condição do Trabalho (ICT-Dieese) (1), calculado com base em recortes de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do IBGE. O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, disse numa entrevista que (2), diante de mudanças profundas no mundo do trabalho, oriundas da tecnologia, mas também das mudanças legislativas também, como a reforma trabalhista feita pelo governo Temer, o ICT-Dieese chega para tentar medir se essas mudanças estão piorando ou melhorando as condições de trabalho no Brasil.

O cálculo do índice é feito com base em três variáveis: ICT-Inserção Ocupacional (formalização do vínculo de trabalho, contribuição para a previdência, tempo de permanência no trabalho); ICT-Desocupação (desocupação e desalento, procura por trabalho há mais de cinco meses, desocupação e desalento dos responsáveis pelo domicílio) e ICT-Rendimento (rendimento por hora trabalhada; concentração dos rendimentos do trabalho).

O ICT-Dieese vai de 0 a 1. Quanto mais próximo o valor do índice estiver de 1, melhor a situação geral do mercado de trabalho e, quanto mais próximo de zero, pior. A periodicidade dos boletins ICT será trimestral.

O primeiro boletim ICT-Dieese é referente ao quarto trimestre do ano passado. O ICT aumentou de 0,34 para 0,36 (5,4%) na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2018, o que significa uma pequena melhora do mercado de trabalho nesse período.

 

‘Situação extremamente crítica’

O Dieese aplicou também retroativamente a metodologia no ICT, até o ano de 2012, sempre com base na PnadC ou na sua antecessora, a Pnad – sem “Contínua”. Segundo Clemente Ganz Lúcio, o melhor resultado foi registrado entre 2014 e o início de 2015, quando o índice atingiu 0,7. De 2014 para cá, o ICT caiu para a metade, o que Clemente atribui ao aumento do desemprego, aumento da informalidade e aumento dos trabalhos de curtíssima duração.

Disse o diretor técnico do Dieese: “Nós temos um índice que mostra que as condições de trabalho estão na UTI no Brasil. Ou seja: saíram de uma boa situação para um situação bastante crítica. O ano de 2018 mostra uma certa estabilidade, mas uma estabilidade bastante crítica. Nós paramos de cair do ponto de vista do aumento do desemprego e da precarização das condições de trabalho no geral, mas estamos numa situação extremamente crítica”.