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Condições do teletrabalho devem ser negociadas com servidores, destaca especialista

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Teletrabalho3 parte interna

Modalidade em expansão no Brasil, especialmente no contexto da pandemia do novo coronavírus, o teletrabalho pode gerar ou aprofundar uma série de problemas sociais. A afirmação é de Laura Pedrosa, psicóloga e especialista em psicologia clínica do trabalho.

O primeiro aspecto ressaltado por Laura diz respeito às próprias condições do teletrabalho, que, na ausência de uma regulamentação mais detalhada, gera diversas pressões. “O gestor manda uma mensagem à noite ou final de semana, você tem uma tendência a querer resolver, mas isso gera ansiedade e frustração porque, infelizmente, não são colocados limites”, alerta.

Na dificuldade de separação entre as dimensões pessoais e profissionais, ela aponta como fundamental a garantia do direito à desconexão. “O trabalhador está conectado à internet, ao telefone, mas muitas vezes não trabalhando, porque os recursos de trabalho e de uso pessoal são similares. Então, não há mais essa distinção nem física e nem da sua conexão. Por isso, é preciso uma negociação com o estabelecimento de políticas de gestão”, diz.

Mas para Laura essas medidas devem ser resultantes de diálogo entre o conjunto dos trabalhadores e o órgão. Ela defende que “a área de gestão de pessoas e o sindicato devem mediar essa negociação, para que o trabalhador não esteja em uma atividade em que ele não consiga se desconectar”.

Como subsídios para esse processo de discussão e definição coletivas, a psicóloga acredita que questões como nível de adoecimento e risco de acidente de trabalho dentro de casa não podem ser ignoradas, com atenção especial às implicações do teletrabalho nas mulheres.

Numa sociedade caracterizada pelo modelo patriarcal, em que as mulheres acumulam cuidados da casa, de educação dos filhos, além do seu próprio trabalho, no entendimento de Laura, “as instituições precisam encontrar alternativas, talvez uma jornada flexível, uma meta diferenciada que seja mais factível ao acúmulo de responsabilidades, para que essa mulher não adoeça e para que haja harmonia entre a sua dinâmica familiar e de trabalho”.

Outra sugestão da especialista é a realização, por parte do órgão público, da escuta permanente aos seus trabalhadores e trabalhadoras no período de pandemia, como uma atitude de respeito e preocupação com o seu corpo funcional. “É preciso abrir espaço de escuta, com indicação de profissionais que possam estar ouvindo essas pessoas, entrando em contato, uma ação proativa de saber como esses servidores estão dando conta do trabalho e da sua família”, propõe Laura Pedrosa.