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Distância entre juízes e trabalhadores é denunciada no 1º de Maio em Aracaju

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“Reajuste dos juízes 16%, reajuste dos trabalhadores 3,5%.” Com a faixa em punho que denuncia essa desigualdade no tratamento dado pelo Estado, servidores do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) se somaram aos milhares de trabalhadores de outras categorias que percorreram as ruas de Aracaju, no dia 1º de Maio.

O Dia Internacional dos Trabalhadores é marcado, em todas as partes do mundo, como uma data que resgata a memória das lutas dos explorados no passado e demarca as lutas contra as opressões do presente. Em Aracaju, o ato foi organizado pelas centrais sindicais CUT, CTB, UGT e Conlutas, tendo como principal bandeira da unidade a defesa da aposentadoria e dos direitos sociais. A concentração foi na Praça da Juventude, no Conjunto Augusto Franco, de onde a passeata seguiu até os arcos da Orla da Atalaia.

1MaioAracaju 2Os servidores do Tribunal de Justiça que participaram do ato formaram uma ala com bandeiras do Sindijus e faixa, dando sequência à campanha salarial iniciada no ano passado, que questiona “Que justiça é essa que só atende aos de cima?” A campanha denuncia a distância que separa a elite, que inclui os juízes, do conjunto da classe trabalhadora, que inclui os servidores do Judiciário.

“A nossa campanha continua de pé e sendo compreendida pela população, porque desde o final do ano passado a gestão do tribunal aprofunda a realidade desigual que serve de base para as nossas denúncias. Enquanto o desemprego aumenta e nós, servidores do TJ, seguimos desvalorizados, os juízes de Sergipe tiveram 16% de aumento. Só nesses 16%, os juízes tiveram um aumento mensal de quase 5 mil reais, valor que é maior do que o nosso salário e do que o salário da grande maioria dos trabalhadores,” critica Vagner do Nascimento, coordenador da Secretaria Geral do Sindijus.

Durante a caminhada, mais de mil manifestantes disseram não à Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro, que já tramita no Congresso Nacional. Moradores residentes no percurso do ato, saíram nas calçadas e sacadas das suas casas e apartamentos para manifestarem apoio aos discursos que soavam no carro de som em defesa da aposentadoria, em defesa dos direitos, contra as privatizações e contra as prisões políticas que atualmente enfraquecem o estado democrático no Brasil.

O vice-presidente da CUT/SE, Plínio Pugliesi, que é servidor do TJSE, explicou como a reforma da Previdência prejudica a população. “O governo federal não quer reformar a previdência, quer acabar, para atender aos interesses dos banqueiros e criar uma população de miseráveis. Além de retirar o direito à aposentadoria da Constituição Federal e transferi-lo para um sistema de capitalização comandado pelos bancos, a proposta acaba com a aposentadoria por tempo de contribuição e obriga os trabalhadores a trabalharem mais tempo, no mínimo, homens 65 anos e mulheres 62. Também diminui o valor do benefício que hoje é calculado sobre a média das 80% maiores contribuições, passando a contar a média de todas as contribuições incluindo os menores salários. A proposta acaba com o reajuste da aposentadoria vinculado ao salário mínimo e quem recebe BPC terá que sobreviver com 400 reais,” alerta.

No mesmo dia, na condição de entidades orientadoras do movimento sindical, as centrais sindicais, em todo o país, anunciaram o dia 14 de junho como data da primeira Greve Geral no governo Jair Bolsonaro, contra a reforma da Previdência.

 

1MaioAracaju 3Significado do 1º de Maio

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Uma greve geral, iniciada na cidade norte-americana de Chicago, no dia 1 de maio de 1886. Mais de 5 mil fábricas foram fechadas, trabalhadores enfrentaram a repressão e lideranças sindicais foram assassinadas. O resultado da greve garantiu a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, beneficiando mais de 1 milhão de trabalhadores. Desde então, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.