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Organização do trabalho no futuro passa pela CUT, dizem especialistas

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Fonte: CUT Nacional/ Por Érica Aragão, Rafael Silva e Rogério Hilário

 

 

cut organizacao do trabalhoO sindicato precisa ser filiado a uma central como a CUT para enfrentar os desafios das novas relações de trabalho que estão surgindo com a reforma Trabalhista, a terceirização, a uberização das relações do trabalho, a indústria 4.0 e outras transformações na sociedade porque os trabalhadores e as trabalhadoras estão precarizados e precisam de direitos.

A afirmação foi repetida por especialistas do mundo do trabalho que participaram da mesa de debate o “Futuro do Trabalho e os desafios da formação sindical no Brasil e no mundo”, nesta terça-feira (28), segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, que acontece em BH e termina na próxima sexta-feira (31).

“As novas modalidades de trabalho possuem trabalhadores que não colocam os sindicatos como referencial na busca por direitos. Além disso, enfrentamos um governo que tenta romper com o modelo sindical e essa Conferência é uma das mais importantes da história da CUT por ter como grande desafio trazer algumas respostas sobre o futuro no mundo do trabalho”, disse o secretário de Relações de Trabalho da CUT, Ariovaldo Carmargo.

Por meio de um vídeo, o Secretário-Geral do Sindicato Global da Indústria (Industrial), que representa 40 milhões de trabalhadores da indústria no mundo, Valter Sanches, que é um metalúrgico do ABC, disse que a revolução industrial não é nova para o trabalhador da indústria. Segundo ele, o novo sindicalismo surgiu com uma da revolução.

Mas, frisou o dirigente, a indústria 4.0 vem num ritmo e salto tecnológico muito mais rápido e “é preciso fazer o balanço e estudar como podermos organizar esses trabalhadores porque está atingindo a vida das pessoas também”.

“Eu não poderia estar participando desta importante Conferência de Formação da CUT se as novas tecnologias não existissem, mas o modo de vida está sendo atingido e as relações humanas estão sendo afetados pela digitalização, que traz uma grande carga de precarização do trabalho”, disse o Secretário-Geral da Industriall.

“É preciso representar as categorias que estão sendo fortemente impactadas pelas transformações do trabalho e esta Conferência mostra que a CUT está na frente deste debate e seus sindicatos só têm a ganhar discutindo este tema porque está sendo discutido no mundo todo e o governo brasileiro nem começou a discutir o futuro do trabalho e não investe em tecnologias”, concluiu Sanches.

O mundo todo se prepara para os novos tempos, enquanto o Brasil fica para trás. Segundo o economista Fausto Augusto Júnior, Coordenador de Educação do DIEESE, o Brasil investiu, em 2017, 20 bilhões de dólares em inovação tecnológica, enquanto que os EUA investiram 533 bilhões, a China 279 bilhões e a Alemanha, 105 bilhões de dólares.

Fausto disse que o mundo vê o Brasil hoje como uma grande fazenda, por conta da comida, cheia de minas (mineração) e como uma pilha, sendo uma grande fornecedora de energia.

“Nosso desafio [do movimento sindical] é manter nossa relevância social, buscando relação direta com a sociedade geral. E hoje temos isso, pois qualquer pessoa sabe quem deve procurar quando precisa lutar por direitos no mundo do trabalho. No interior, por exemplo, todo mundo sabe onde fica o sindicato”, contou Fausto Júnior, que atua na área de educação e sindicalismo, relações de trabalho, desenvolvimento industrial e regional e gestão de pessoas e conhecimento.

“Mas sindicato sozinho não vai a lugar nenhum”, disse ele dizendo que é importa estar unido. “Ter o selinho vermelho (da CUT) ao lado do nome da entidade, dá outra força”, disse.

 

Qualificação profissional

A especialista de Atividades com os Trabalhadores do escritório da OIT para o Cone Sul da América Latina, Maribel Batista, disse que a CUT precisa pensar a formação que qualifique os trabalhadores porque a preocupação principal da OIT é a falta de preparo dos trabalhadores e das trabalhadoras frente às inovações e o déficit de acesso à tecnologia de grande parte dos trabalhadores.

“Hoje temos no mundo 344 milhões de empregados formais, 200 milhões atuando na informalidade e 190 milhões de desempregados, sendo 64 milhões de jovens. Mas no mundo só 53,6% da população possuem acesso à internet. Em países emergentes, só 15% acessam a tecnologia”, afirmou Maribel.

 

Desigualdade no avanço da tecnologia também é luta de classe

Os avanços tecnológicos também se dão de maneira desigual. Em países desenvolvidos os avanços tecnológicos chegam mais rápido. Rafael Freire, da Confederação Sindical das Américas (CSA), que representa a CUT e mais 45 centrais sindicais, cujas bases somam cerca de 40 milhões de trabalhadores, disse que a América Latina tem grandes desafios com as altas taxas de desemprego, a precarização nas relações laborais, o ambiente social e as desigualdades entre homens e mulheres.

“Vivemos muitos problemas, que nos impedem de entrar no mundo desenvolvido. Para chegar mais pra frente precisamos entender a divisão internacional da produção e das relações de trabalho, as cadeias globais de produção e fomento. Porque não estamos num mundo ideal. Vivemos uma onda conservadora perversa na América Latina, influenciada por Donald Trump”, disse se referindo ao presidente dos Estados Unidos.

Para Rafael, a inserção do trabalho do futuro depende da educação, da formação profissional e a tecnologia de ponta, por intermédio da pesquisa e a CUT tem esta responsabilidade.

Segundo ele, a CUT ajudou a reconstruir o processo sindical interrompido durante a ditadura militar e é preciso reconectar uma ideia de classe, responder aos novos contratos existentes.

“Somos nós mesmos que temos que responder o que podemos oferecer as nossas classes. Temos que recuperar a identidade de classe e a formação é o espaço ideal para isso se dar”, finalizou.

Na parte da tarde, foram organizadas mesas articuladoras de debate com os temas o Futuro do Trabalho e a perspectiva sindical, Futuro do Trabalho, novas tecnologias, ocupações e os impactos na Saúde do Trabalhador, Futuro do Trabalho no Campo e a Transição Justa, Futuro do Trabalho e a integração global e Futuro do Trabalho e a formação e qualificação profissional.