
Após uma sequência de resultados favoráveis aos trabalhadores nas campanhas salariais deste ano, as negociações coletivas registraram em maio um primeiro sinal de desaceleração. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostra que 84,3% dos reajustes salariais analisados no mês ficaram acima da inflação medida pelo INPC, percentual inferior aos 93% observados em abril.
Apesar da queda de quase nove pontos percentuais, o cenário das negociações em 2026 permanece mais favorável do que o registrado ao longo dos últimos 12 meses. Entre janeiro e maio, 88,8% dos acordos e convenções coletivas garantiram ganhos reais aos trabalhadores, índice superior aos 79,3% observados no acumulado das últimas 12 datas-bases.
Os dados fazem parte da edição de junho do boletim De Olho nas Negociações, elaborado pelo DIEESE a partir dos instrumentos coletivos registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego. Até o momento da análise, haviam sido contabilizados 772 reajustes referentes a maio, cerca de 10% do volume normalmente registrado para o mês.
Além da redução no percentual de reajustes acima da inflação, maio também apresentou uma variação real média de 1,40%, abaixo dos 1,67% registrados em abril e distante do pico de 1,85% alcançado em março. Ainda assim, o resultado permanece acima da média observada em grande parte de 2025.
O levantamento aponta ainda uma mudança no ambiente das negociações. Para as categorias com data-base em junho, o reajuste necessário para recompor integralmente a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,42%, o maior percentual registrado em 2026 e o terceiro aumento consecutivo do indicador. Segundo o DIEESE, o movimento sugere uma reversão da tendência de desaceleração inflacionária observada anteriormente.
Na análise regional, o Nordeste aparece entre as regiões com menor proporção de acordos acima da inflação neste ano. Entre janeiro e maio, 86,8% das negociações da região resultaram em ganhos reais, percentual inferior aos registrados no Centro-Oeste (91,8%), Sul (90%) e Sudeste (89%). Apenas o Norte apresentou desempenho mais baixo, com 83,7%.
A variação real média dos reajustes nordestinos ficou em 1,64% no acumulado de 2026, também abaixo da observada no Centro-Oeste (2,05%) e no Sudeste (1,84%).
O estudo mostra ainda que os setores econômicos vêm apresentando desempenho semelhante neste ano. Serviços e setor rural lideram a proporção de negociações com ganhos reais, ambos com 89,7% dos acordos acima da inflação. Comércio e indústria aparecem logo atrás, com 87,7% e 86,9%, respectivamente.
Em relação aos pisos salariais negociados, o valor médio nacional entre janeiro e maio foi de R$ 1.887, enquanto a mediana ficou em R$ 1.745. No Nordeste, os valores foram inferiores à média nacional: piso médio de R$ 1.817 e piso mediano de R$ 1.663.
Embora o resultado de maio indique perda de fôlego em relação aos meses anteriores, o balanço dos primeiros cinco meses de 2026 sugere que os trabalhadores continuam encontrando espaço para negociar aumentos acima da inflação. O comportamento dos próximos acordos, porém, deve ser influenciado pela trajetória dos preços, que voltou a pressionar as campanhas salariais com a elevação do índice de reajuste necessário para recomposição do poder de compra.
Fonte: DIEESE


