Emprego com carteira cresceu três vezes mais que trabalho por conta própria em 4 anos

 

n 46432 ede529dfcbb2907e9760eea0875cdd12

 

O número de trabalhadores assalariados cresceu quase três vezes mais que o de pessoas que trabalham por conta própria entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base em dados da Pnad Contínua, do IBGE.

O contingente de assalariados passou de 65,3 milhões para 71,4 milhões no período, alta de 9,4%. Já o número de trabalhadores por conta própria subiu de 25,2 milhões para 26,1 milhões, avanço de 3,4%. Considerados empregadores, trabalhadores por conta própria e trabalhadores familiares auxiliares, os demais ocupados tiveram crescimento de 1,6%.

O total de pessoas ocupadas aumentou 6,9%, de 96,4 milhões para 103,1 milhões. Com isso, a participação dos assalariados no mercado de trabalho passou de 67,7% para 69,3% em quatro anos. O crescimento foi puxado principalmente pelo emprego formal. O número de assalariados com carteira assinada ou vínculo estatutário aumentou 10,4% entre os segundos trimestres de 2022 e 2026, enquanto os assalariados informais cresceram 7%.

No setor privado, o contingente de empregados com carteira passou de 35 milhões para 39,4 milhões, um aumento de 4,4 milhões de pessoas, ou 12,5%. Já o número de empregados privados sem carteira cresceu 6,1%, de 12,8 milhões para 13,6 milhões.

O avanço também ocorreu no setor público. O número de empregados com carteira aumentou 24,2%, de 1,3 milhão para 1,6 milhão, enquanto o de servidores estatutários e militares passou de 7,7 milhões para 7,9 milhões, alta de 3,1%. Ao mesmo tempo, cresceu o emprego público sem carteira. O contingente passou de 2,7 milhões para 3,5 milhões em quatro anos, alta de 30,4%, segundo o Dieese.

A expansão da formalização atingiu grupos que historicamente apresentam maior participação em ocupações menos protegidas. Entre as mulheres, o número de assalariadas formais cresceu 11,9%, ante 8% no total de ocupadas. Entre os homens, a alta foi de 9,3%.

Entre trabalhadores negros, o número de assalariados formais aumentou 14,6%, enquanto o total de ocupados desse grupo cresceu 9,6%. Entre não negros, as altas foram de 6% e 3,9%, respectivamente.

Em números absolutos, cerca de 2,4 milhões dos novos vínculos formais eram de mulheres, o equivalente a 51% do crescimento líquido no período. Trabalhadores negros responderam por aproximadamente 3,4 milhões de novos vínculos, ou quase 72% do total.

O movimento também aparece entre os jovens. De 2022 a 2026, o número de ocupados de 18 a 24 anos cresceu 1,2%, enquanto o de assalariados formais nessa faixa etária aumentou 10,8%. Entre pessoas de 60 anos ou mais, as altas foram de 28,7% na ocupação e de 43,7% no emprego formal.

Apesar da expansão, a informalidade continua abrangendo milhões de trabalhadores. No segundo trimestre deste ano, havia 13,6 milhões de empregados privados sem carteira, 4,1 milhões de trabalhadores domésticos sem carteira e 3,5 milhões de empregados públicos sem carteira.

O rendimento médio do trabalho também aumentou no período. Em valores de 2026, passou de R$ 3.045 no segundo trimestre de 2022 para R$ 3.621 quatro anos depois, alta real de 19%.

A evolução, porém, foi diferente conforme a posição ocupacional. O rendimento médio dos empregados privados com carteira subiu 13%, de R$ 3.006 para R$ 3.386. Entre trabalhadores por conta própria, o aumento foi de 25%, de R$ 2.478 para R$ 3.109.

Mesmo com a redução da diferença, empregados privados com carteira continuaram recebendo mais, em média, do que os sem carteira. No segundo trimestre de 2026, o rendimento dos formais era de R$ 3.386, contra R$ 2.608 entre os informais.

Segundo o Dieese, a diferença entre os dois grupos diminuiu. Em 2022, empregados privados com carteira recebiam, em média, 42% mais que os sem carteira. Em 2026, a diferença havia recuado para 30%.

O estudo também aponta uma expansão do trabalho temporário em alguns setores. No segundo trimestre de 2026, havia 7,6 milhões de assalariados temporários, dos quais 6 milhões eram informais. Isso significa que quase oito em cada dez trabalhadores temporários não tinham vínculo formal.

A participação dos temporários no conjunto dos assalariados, contudo, permaneceu praticamente estável: passou de 11,6% em 2022 para 11,7% em 2026.

Para o Dieese, os dados mostram expansão do assalariamento e da formalização, mas também a permanência de formas de inserção consideradas mais precárias, especialmente no setor público. O estudo afirma que a evolução do mercado de trabalho deve ser acompanhada não apenas pelo número de postos criados, mas também pela remuneração, jornada, estabilidade, proteção social e condições de trabalho.

Fonte: Dieese (Boletim de Conjuntura nº 56)

 

 

 

Compartilhe :