Mercado aquecido reduz número de jovens sem trabalho e fora da escola, diz Dieese

 

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O número de jovens de 14 a 29 anos que não trabalham nem estudam caiu ao menor nível dos últimos dez anos no Brasil. No segundo trimestre de 2026, eram 8,8 milhões nessa situação, o equivalente a 17,9% dos 49,1 milhões de jovens nessa faixa etária, segundo boletim divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base em dados da Pnad Contínua, do IBGE.

O contingente vem recuando desde 2020, quando atingiu o pico de 14,6 milhões. A redução acompanha a recuperação do mercado de trabalho nos últimos anos, especialmente do emprego formal. Entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o número de jovens que não estudavam, mas tinham trabalho formal, cresceu 6,2%. No mesmo intervalo, a quantidade de jovens que conciliavam estudo e trabalho aumentou 2,8%, enquanto o número dos que estavam desocupados caiu 42%.

A taxa de desocupação entre os jovens também chegou ao menor nível da série histórica. O índice caiu de 16,6% no segundo trimestre de 2022 para 10% no segundo trimestre deste ano. Ainda assim, o desemprego permanece mais elevado no início da vida profissional: entre jovens de 18 anos, a taxa era de 20,8%, ante 5,5% entre aqueles de 29 anos.

O levantamento do Dieese chama atenção para o fato de que a expressão “nem-nem”, usada para designar quem não trabalha nem estuda, pode esconder as atividades realizadas por esses jovens. Segundo o estudo, ao menos 60% dos 8,8 milhões estavam procurando emprego, fazendo tarefas domésticas ou frequentando cursos fora da educação regular. Apenas 2% disseram que não trabalhavam porque não queriam.

Há uma diferença importante entre homens e mulheres. Entre os homens jovens nessa condição, a busca por trabalho é a principal atividade. Entre as mulheres, especialmente as negras, o trabalho doméstico e de cuidados tem peso maior. Entre as jovens negras, 27,2% estavam na situação de sem trabalho e sem estudo, contra 10,5% dos homens não negros.

A melhora nos indicadores de emprego, porém, não significa que a entrada dos jovens no mercado ocorra em condições semelhantes às dos trabalhadores mais velhos.

Havia 26,6 milhões de jovens ocupados no segundo trimestre de 2026. O rendimento médio era de R$ 2.459, valor 32% inferior aos R$ 3.621 recebidos, em média, pelos trabalhadores de 30 anos ou mais. Entre os jovens com menos de 18 anos, a renda média ficava abaixo do salário mínimo.

Além disso, 41% dos jovens ocupados recebiam no máximo um salário mínimo, que naquele período era de R$ 1.621. A participação do emprego privado também é maior entre os mais novos: 69% estavam nessa posição, contra 45% entre os trabalhadores de 30 anos ou mais. Quase metade dos jovens ocupados, 48%, tinha carteira assinada.

As ocupações mais frequentes também indicam uma inserção concentrada em atividades que, em geral, não exigem formação técnica ou superior. Entre as 20 ocupações mais comuns estavam vendedores de lojas, escriturários, trabalhadores da construção, recepcionistas, caixas, motociclistas, repositores e trabalhadores de limpeza. Segundo o Dieese, nenhuma das 20 ocupações mais frequentes entre os jovens era de nível técnico ou superior.

O boletim aponta ainda que a condição de estar fora da escola e do mercado de trabalho está relacionada à situação socioeconômica. Jovens de famílias mais pobres chegam ao fim do ensino médio com menos oportunidades e enfrentam mais dificuldades na transição para o emprego, enquanto aqueles de domicílios com melhores condições econômicas têm maior possibilidade de continuar estudando.

Para o Dieese, portanto, a redução do contingente de jovens sem trabalho e sem estudo está associada principalmente ao aquecimento da economia e do mercado de trabalho. O estudo ressalta que essa condição tende a ser transitória e que os jovens estão mais sujeitos a empregos precários e de alta rotatividade.

 

Fonte: Dieese (Boletim Emprego em Pauta nº 34)

 

 

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